Obteve uma sentença favorável no Brasil contra um devedor com bens nos Estados Unidos? O processo de homologação e execução nos EUA pode ser mais eficaz do que a execução no Brasil, mas exige planejamento cuidadoso e assessoria jurídica especializada nos dois sistemas.
Entre em contatoAo contrário do Brasil, que exige a homologação pelo STJ antes de qualquer execução, os Estados Unidos reconhecem e executam sentenças estrangeiras por meio de procedimentos estaduais. O processo em geral não envolve reexame do mérito da decisão brasileira.
O reconhecimento é regido pela Uniform Foreign-Country Money Judgments Recognition Act (UFMJRA), lei modelo adotada por cerca de 30 estados norte-americanos. Nos demais estados, aplicam-se versões estaduais próprias ou a common law, com normas que podem ser mais exigentes.
Uma vez reconhecida, a sentença brasileira pode ser executada com instrumentos disponíveis no sistema norte-americano: bloqueio de contas, penhora de salários, penhora de imóveis e até sanções por descumprimento (contempt of court).
Contudo, existem riscos concretos que devem ser avaliados caso a caso: o estado onde os bens se encontram, a forma como a citação foi realizada no Brasil, a natureza da condenação e o valor da sentença são fatores determinantes para o sucesso do processo.
A sentença precisa ser definitiva. Os tribunais americanos exigirão prova de que a decisão é final e executável no Brasil. Verifique também se a sentença condena ao pagamento de quantia certa, requisito da UFMJRA e da maioria das leis estaduais.
Não há competência federal para reconhecimento de sentenças estrangeiras nos EUA. A escolha do estado deve considerar onde o devedor possui bens, reside ou exerce atividade.
A sentença deve ser apostilada nos termos da Convenção da Apostila de Haia (da qual o Brasil é signatário desde 2016) e traduzida para o inglês.
O tribunal americano analisará se o réu foi devidamente citado no processo brasileiro. Esse é um dos pontos mais frequentemente explorados pela defesa para bloquear o reconhecimento da sentença.
O pedido é protocolado perante o tribunal estadual do estado escolhido. O tribunal analisará se os requisitos da UFMJRA (ou das normas equivalentes de common law naquele estado) foram atendidos. O mérito da decisão brasileira não é reexaminado.
Uma vez reconhecida, a sentença brasileira é convertida em um título executivo judicial equivalente a uma sentença proferida pelo próprio tribunal local. A partir desse momento, todas as medidas executivas disponíveis no sistema norte-americano ficam à disposição do credor.
Com a sentença reconhecida, inicia-se a fase de execução. Os procedimentos variam por estado, mas geralmente incluem penhora de contas bancárias (attachment), penhora de salários (wage garnishment), penhora de imóveis e outros ativos, e sanções por descumprimento de ordens judiciais (contempt of court).
Atenção - natureza da condenação: sentenças que determinam obrigações de fazer ou não fazer, sentenças declaratórias e sentenças constitutivas não são reconhecidas pela UFMJRA e em geral não podem ser diretamente executadas nos EUA. Para essas hipóteses, pode ser necessário ajuizar nova ação nos EUA com base nos fatos subjacentes à decisão brasileira, um processo distinto e mais custoso.
Atenção - citação por edital ou por correio pode ser fatal: o padrão americano de due process para citação é substancialmente mais rigoroso que o brasileiro. Citações realizadas por edital, por carta ou de outras formas que o juiz americano considere insuficientes podem resultar na recusa do reconhecimento, mesmo que a citação tenha sido plenamente válida sob o direito brasileiro. Esta é, na prática, a defesa número um utilizada por advogados americanos para bloquear sentenças estrangeiras.
A UFMJRA estabelece os critérios para o reconhecimento de sentenças estrangeiras. As hipóteses de recusa são em tese taxativas, mas algumas delas oferecem espaço significativo para a defesa do devedor.
O tribunal deverá recusar o reconhecimento se: (1) o sistema judicial brasileiro não oferecer tribunais imparciais ou processo devido; (2) o juízo brasileiro não tiver tido competência para citar o réu; ou (3) o juízo brasileiro não tiver tido competência para resolver a lide. A segunda hipótese - inadequação da citação - é a mais invocada na prática.
O tribunal poderá, mas não é obrigado a, recusar o reconhecimento em casos específicos: prazo insuficiente para o réu se defender; sentença obtida por fraude; violação da ordem pública local; conflito com sentença anterior já existente; ou procedimento incompatível com o devido processo legal. Meras diferenças processuais entre os dois sistemas não são suficientes, mas diferenças substanciais podem sê-lo.
A UFMJRA aplica-se exclusivamente a condenações ao pagamento de quantia certa (money judgments). Estão fora do escopo: sentenças tributárias, penais, de direito de família, sentenças declaratórias e condenações a obrigações de fazer ou não fazer. Para essas hipóteses, o credor deverá avaliar se é possível ajuizar nova ação nos EUA com base nos mesmos fatos.
A versão de 2005 da UFMJRA eliminou formalmente o requisito de reciprocidade. No entanto, nem todos os estados adotaram essa versão. Em estados que ainda aplicam a common law ou a versão de 1962, a reciprocidade pode ser exigida. Além disso, mesmo em estados que adotaram a versão de 2005, um juiz pode considerar que a recusa dos tribunais brasileiros em executar certas sentenças americanas - especialmente as que envolvem punitive damages - configura violação de ordem pública suficiente para negar o reconhecimento.
A UFMJRA foi revisada em 2005. Cerca de 30 estados adotaram alguma versão da lei uniforme; os demais baseiam-se em lei estadual própria ou na common law. A escolha do estado onde o pedido será protocolado é uma das decisões mais importantes de toda a estratégia.
Adotou a versão revisada de 2005. Processo relativamente previsível.
Adotou a versão revisada de 2005.
Adotou a versão revisada de 2005.
Adotou a versão revisada de 2005.
Adotou a versão revisada de 2005.
Adotou a versão revisada de 2005.
Adotou a versão revisada de 2005.
Possui lei estadual própria (Florida Recognition of Foreign Country Money Judgments Act), não baseada na UFMJRA. Normas similares em alguns aspectos, mas com diferenças relevantes de procedimento e interpretação. Destino frequente de brasileiros; merece avaliação específica antes do ajuizamento.
Em processo de atualização de sua legislação. A versão de 1962 vigorou até recentemente e a common law local apresenta particularidades. Um dos estados mais relevantes para credores com devedores no setor financeiro, mas exige análise atualizada antes do pedido.
O procedimento de reconhecimento pela UFMJRA é em geral mais rápido e menos custoso do que uma nova ação, pois o mérito não é reexaminado. É o caminho natural quando a sentença brasileira é robusta, o valor é relevante, a citação no Brasil foi pessoal e o devedor possui bens em um estado que adota a lei uniforme.
A principal limitação é o valor: a sentença executada será a brasileira, sem possibilidade de ampliar a condenação. Custos de reconhecimento, honorários de advogados locais e eventuais recursos do devedor também devem ser incluídos no cálculo de viabilidade.
Em vez de homologar a sentença brasileira, o credor pode ajuizar nova ação nos EUA com base nos mesmos fatos subjacentes. A sentença brasileira serve como prova e pode ter efeito persuasivo relevante, mas o processo reinicia do zero quanto ao mérito.
A vantagem é a possibilidade de buscar indenização nos parâmetros do direito americano, frequentemente superiores, incluindo punitive damages em casos de conduta dolosa. Particularmente adequada quando a sentença brasileira tem valor baixo, há dúvidas sobre a citação, ou os bens do devedor estão em estados com normas desfavoráveis ao reconhecimento direto.
O attachment de contas bancárias é um dos instrumentos mais eficazes e pode ser obtido de forma expedita, frequentemente sem notificação prévia ao devedor. Especialmente útil quando o devedor possui contas em bancos norte-americanos.
O wage garnishment permite a retenção de parte do salário ou outras rendas do devedor diretamente na fonte pagadora. É um instrumento particularmente eficaz contra pessoas físicas que trabalham nos EUA.
Imóveis, participações societárias e outros ativos localizados nos EUA podem ser penhorados e alienados judicialmente para satisfação do crédito. A penhora de imóveis é registrada no cartório de registro local, impedindo sua transferência.
O descumprimento de ordens judiciais nos EUA pode resultar em sanções severas ao devedor, incluindo multas diárias e, em casos extremos, prisão civil. É um instrumento de pressão muito mais eficaz do que os equivalentes disponíveis no Brasil.
Se a sentença brasileira ainda estiver sujeita a recurso pendente, o devedor pode pedir a suspensão do processo de reconhecimento nos EUA até o trânsito em julgado no Brasil. Por isso, é recomendável aguardar o trânsito em julgado antes de iniciar o procedimento nos EUA.
A execução nos EUA requer obrigatoriamente a atuação de um advogado admitido no estado competente. O D&Q Lawyers coordena com advogados norte-americanos parceiros para conduzir o processo de homologação e execução de ponta a ponta.
Fabiano Deffenti é o único advogado no mundo habilitado a exercer a advocacia no Brasil, na Austrália, na Nova Zelândia e em Nova York, o que lhe permite assessorar credores brasileiros com uma compreensão profunda de ambos os sistemas jurídicos envolvidos no processo de homologação e execução de sentenças.
Ao longo de sua carreira, Fabiano atuou como expert witness em direito brasileiro em tribunais nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Austrália, incluindo casos de grande repercussão como as class actions contra Sadia, Aracruz e Petrobras nos EUA. Essa experiência direta no sistema norte-americano é um diferencial concreto no assessoramento de credores brasileiros.
Entre em contato e um de nossos advogados retornará para avaliar o seu caso. O sucesso do processo depende de uma análise cuidadosa das circunstâncias específicas - a forma da citação, o estado onde os bens se encontram e a natureza da condenação são fatores que precisam ser analisados antes de qualquer decisão.
Esta página tem caráter informativo e não constitui assessoria jurídica. As normas variam por estado; consulte-nos para uma avaliação do seu caso específico.
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